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SERMÃO DAS SETE PALAVRAS
Para refletir nestes dias da Semana Santa
- da entrega e morte na Cruz até a Ressurreição.
Devemos sempre nos gloriar da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A nossa cruz comparada com a do Senhor não é quase
nada...
Abraços e beijos no seu coração.
Frei Sérgio.
Sermão das Sete
Palavras
Lembra as últimas palavras de Jesus, no Calvário,
antes de sua morte...
"Pai,
perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem"
No auge do sofrimento, Cristo não perde a dimensão
da fragilidade do ser humano e implora o perdão pra nossas
culpas. Seu sangue derramado na cruz nos torna limpos para voltar
à casa paterna. Mas somos também capazes de perdoar
a nós mesmos e aos outros? Quando oramos: "Perdoai-nos,
assim como perdoamos", sabemos o que pedimos? Aceitamo-nos
incondicionalmente como somos e nos respeitamos? Quem não
perdoa a si mesmo não perdoa a ninguém mais. Quem
não se aceita não aceita aos outros. Pois para isso
é necessário que se reconheça as próprias
dificuldades e limitações, esforçando-se
para se corrigir. E, dessa mesma forma, agir sempre com os outros.
"Em verdade te digo: hoje estarás
comigo no Paraíso".
Sentindo dores, o homem crucificado ao lado de Jesus não
o insultou como os demais. Ao contrário, pediu e recebeu
o seu perdão incondicional e imediato. Cristo não
lhe prometeu o paraíso para depois. Tampouco lhe falou
de novas vidas ou de reencarnações. "Hoje mesmo"
- afirmou Jesus! E quantos de nós desacreditamos nessa
misericórdia divina, acreditando que somente nosso esforço,
nesta e em outras vidas, nos tornará dignos de voltar ao
Pai.
"Mulher,
eis aí o teu filho. Filho eis aí a tua Mãe!"
Apesar de todas as nossas infidelidades, ele não nos deixou
órfãos: deu a sua própria mãe como
nossa mãe. Mas seremos dignos de ser filhos daquela que
disse o sim, totalmente incondicional, quando convidada a ser
parte essencial do plano de Deus para nos salvar? Seremos nós
também capazes de dar esse sim incondicional e, em cada
atividade, testemunhar o Evangelho sem timidez? Não fomos
feitos filhos adotivos de Maria e, por conseqüência,
irmãos de Jesus Cristo, apenas para nos vangloriarmos de
ser cristãos, sacerdotes ou ministros extraordinários
da Igreja. Somente tomando consciência disso, ouviremos
de Jesus: "Filho, eis aí tua mãe!
"Tenho Sede!"
Jesus teve sede, mas ao invés de água, deram-lhe
vinagre. Também para nós Jesus vive a dizer: "Tenho
sede! Tenho sede de homens e mulheres, adultos e jovens, que caminhem
comigo. Que não tenham medo de correr riscos, que não
se apeguem a títulos, cargos e aos bens transitórios
deste mundo. Que estejam dispostos a levar a boa nova a todas
as criaturas. Tenho sede de justiça e de trabalho para
todos, pois afinal meu Pai não criou o mundo só
para alguns, mas indistintamente para todos. Tenho sede de pessoas
que não aceitem o erro, porque é muito difícil
combatê-lo. Tenho sede de ver a humanidade inteira totalmente
feliz! Saciem pois essa minha sede, e a minha redenção
pela cruz estará plenamente realizada!"
"Eli, Eli, lema sabachtani? - Meu Deus, meu Deus,
por que me abandonastes?"
Teria Deus abandonando seu Filho na cruz? Certamente que não.
Contudo, a natureza humana de Jesus sofria tanto que ele sentiu
falta do carinho de seu e nosso Pai. Quantas vezes nós
também gritamos a mesma coisa, porém sem qualquer
convicção de que Deus nos escuta. Quantas vezes
passamos meses e anos esquecidos de Deus, nunca nos lembrando
de conversar com ele, agradecendo tudo o que dele recebemos. Mas,
quando nos sobrevém qualquer sofrimento e a dor nos atinge,
gritamos revoltados: "Por que nos abandonastes?" Mas
não é ele quem nos abandona: nós é
que o abandonamos. E, de repente, queremos atribuir a ele todos
os sofrimentos que nós mesmos criamos, para nós
e para os outros. Fazemos de nossa relação com Deus
uma transação comercial: "Eu lhe dou esmolas
e orações apressadas, em compensação
quero receber tudo aquilo que penso ter direito. E, se não
recebo o que quero, protesto: "Por que me abandonaste?"
"Tudo está consumado!"
Jesus Cristo olha, do alto da cruz, o novo mundo que começa:
a humanidade recebe, em letras de lágrimas, suor e sangue,
e sua quitação por todas as dívidas assumidas.
Mas estará tudo consumado para cada um de nós em
particular? Será que nada mais tenho a fazer? Posso me
esquecer de Cristo não permanece morto, que ele ressuscitou
e está presente em cada ser humano? Posso entrar num aposentadoria
espiritual, nada mais fazendo porque Cristo já fez tudo
por nós? Jesus consumou sua obra redentora na cruz. Mas
foi exatamente ali que começou a nossa obra pessoal, como
redimidos e discípulos de Cristo. Tudo estará consumado
quando conseguirmos expulsar deste mundo o egoísmo, a ambição,
o desamor, a miséria e a falta de oportunidade para todos.
"Pai,
em tuas mãos entrego o meu Espírito!"
Chega ao final a agonia da cruz, Cristo entrega-se
totalmente nas mãos do Pai. Um dia, ao entregarmos também
nossos espírito nas mãos do Pai, com certeza ele
não nos perguntará pelas grandes obras que fizemos,
mas pelas pequeninas coisas que deixamos de fazer. Voltar ao Calvário
é redirecionar nossa vida. É tomar a decisão
corajosa de entregar ao Pai não somente nosso espírito,
mas nossas mãos, nosso coração, nossa mente
e toda a nossa vida. Com certeza, ele já está de
braços abertos a nossa espera. Como o pai do filho pródigo.
Basta que nos
lancemos neles, com total amor e confiança.

fonte: Revista Família
Cristã
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