CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2014

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011TEMA: Fraternidade e Tráfico Humano

LEMA:“FOI PARA A LIBERDADE QUE CRISTO NOS LIBERTOU” (Gl 5,1)

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2014
“Fraternidade e Tráfico Humano”

1. INTRODUÇÃO

Preparando-nos para a Quaresma, a Igreja lança a 51ª edição da Campanha da Fraternidade que traz o tema “Fraternidade e Tráfico humano”. A presente reflexão está baseada nos artigos do Pe. Luiz Carlos Dias, secretário-executivo da CF publicados no semanário litúrgico-catequético  O Domingo nos dias 12 de janeiro a 9 de março.

Com a Campanha da Fraternidade, a Igreja no Brasil participa ativamente da vida do povo brasileiro, lançando as sementes para a construção de uma sociedade justa e fraterna e conclamando suas comunidades ao empenho transformador da realidade, bem como ilumina o horizonte de todos com o projeto do Pai, para vivermos como irmãos e irmãs.

2. A CF E A CAMINHADA QUARESMAL

A conversão autêntica, que implica partir de Jesus Cristo, base sólida para este período de mudança de época, “coloca a Igreja no mesmo caminho do amor-serviço aos sofredores desta terra”( DGAE 2011-2015, n.26-27).

Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade(CF) constitui grande instrumento para desenvolver o espírito quaresmal de conversão, da renovação interior e da ação comunitária( cf. Manual de animação de campanhas). Ela faz emergir, para o conhecimento de todos, situações de injustiça- às vezes invisíveis aos olhares – praticadas no âmbito de nossa sociedade que ferem a fraternidade e atentam contra o plano de vida de Deus para todos os seus filhos e filhas.

3. A CF E SUA ORGANIZAÇÃO

Uma campanha pública normalmente apresenta três dimensões principais: educação, sensibilização e mobilização. A dimensão educativa quer levar o maior número de pessoas a conhecer uma realidade importante com o intuito de esclarecê-la e transformá-la; a sensibilização visa à adesão das pessoas às causas propostas; a mobilização é para que participem e contribuam de alguma forma para os objetivos da campanha.

É necessário esclarecer que a Igreja católica, quando propõe uma campanha para evangelizar, quer impulsionar autênticos mutirões de evangelização. Por isso, as dioceses, as paróquias, os movimentos e as pastorais precisam abraçar as campanhas propostas e inseri-las em seus calendários, planejá-las com antecedência, organizar equipes para seu desenvolvimento, pensar estratégias e demais elementos relativos à campanha vindoura.

Em relação à Campanha da Fraternidade, é preciso salientar que se trata de um grande momento de a Igreja católica se expressar à sociedade e, mediante a reflexão a propósito de um tema, convidá-la a transformações que proporcionem justiça e paz a todos.

4. FRATERNIDADE E TRÁFICO HUMANO

O tráfico humano destaca-se entre os grandes problemas sociais da atualidade. É uma atividade criminosa cuja finalidade é explorar as pessoas, empregando meios violentos.

Três elementos se fazem presentes na caracterização desse crime: os atos próprios, os meios e a finalidade. Quanto aos atos mais comuns, podemos elencar: recrutamento, transporte, transferência, alojamento. Os meios normalmente empregados são ameaça, uso da força, formas de coação, rapto, fraude, engano ,abuso em situação de vulnerabilidade, retenção de documentos, entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra e até aprisionamento. A finalidade principal é o ganho, por meio da exploração de pessoas traficadas em atividades que lhes são impostas.

5. TRÁFICO HUMANO: ATENTADO CONTRA A DIGNIDADE HUMANA

O papa Francisco, no início de seu pontificado, classificou o tráfico humano como uma atividade ignóbil, uma vergonha para as nossas sociedades que se dizem civilizadas. As pessoas traficadas são tratadas como meros objetos com as quais os traficantes podem obter lucro. Esse crime é listado entre os mais lucrativos, juntamente com o tráfico de drogas e o de armas.

Os criminosos ao extremo as pessoas em situação de tráfico, forçando-as a atividades contrárias à sua própria vontade. Em muitos casos, perdem o direito de ir e vir, têm os documentos retidos, são sujeitadas a condições sub-humanas. É muito difícil às vítimas desse crime conseguir se libertar dele, pois os criminosos usam de ameaças e violências que podem se estender aos familiares. Além disso, os que fogem são muitas vezes, perseguidos e mortos.

Não é exagero dizer que o tráfico humano é uma versão atual das antigas escravidões, talvez ainda mais cruel. Tal prática aniquila a dignidade humana, ao fazer da pessoa, de seu corpo e de seus órgãos meras mercadorias para ganhos financeiros. Essa situação de injustiça e morte a própria sociedade, afeta a todos. Pessoas de boa vontade não podem permanecer com a consciência tranquila enquanto irmãos e irmãs são submetidos a tamanha crueldade.

6. ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO TRÁFICO HUMANO

Dados de organizações internacionais afirmam que as atividades desse crime lucram mais de 30 bilhões de dólares anuais, ganhos do tráfico que violenta milhões de pessoas .É um crime muito bem organizado, com elos independentes, o que dificulta as investigações. O tráfico humano ocorre por rotas nacionais, que conduzem vítimas para destinos internos, e internacionais, voltadas para outros países. O Escritório das Nações Unidas  Drogas e Crime(UNODC) em 2012 identificou 241 rotas no Brasil, 110 internas e 131 destinadas ao tráfico internacional.

Outra característica desse crime é invisibilidade: as estatísticas não correspondem ao volume das atividades do tráfico humano, pois as pessoas ou familiares que passaram por essa situação temem as violentas represálias dos traficantes.

Nesse crime, normalmente existe o aliciamento das vítimas com falsas promessas de trabalho e melhora de vida. O aliciador se apresenta com bom aspecto, bem articulado, até mesmo na figura de “empresário”. É interessante perceber que mesmo quem aceita proposta para “serviços” sexuais não sabe da exploração intensa a que terá de se submeter.

A maioria das pessoas em situação de tráfico são oriundas de realidades que carece dos requisitos básicos de dignidade. Deste contexto aproveitam-se os aliciadores para ofertar o que muitos estão a desejar, como trabalho e boas condições de vida. É preciso atenção: as propostas podem ser para áreas como enfermagem, acompanhamento de crianças ou idosos, carreira no futebol, atuação como modelo, exibição cultural (capoeira etc.).

7. ESCRAVIDÃO, PRECONCEITO E TRÁFICO HUMANO

Os colonizadores “não encontram dificuldade em assentar o processo de colonização da terra de Santa Cruz, sob duas formas: a tomada das terras dos povos indígenas, os quais também foram escravizados, e a exploração da força de trabalho dos negros, traficados do continente africano”( Texto-Base, n. 58).

Na segunda metade do século XVI ocorreu o apogeu da escravidão indígena, sobretudo em engenhos em Pernambuco e na Bahia, mesmo com a publicação, em 1537, da bula Sublimis Deus,  em que o papa Paulo III determinava que os filhos da terra não poderiam ser privados de seus bens nem ser escravizados.

No continente africano também se praticava a escravidão, e comerciantes se aproveitaram para estabelecer o tráfico de pessoas para as Américas, com predominância de homens jovens para o trabalho e algumas adolescentes, destinadas ao deleite dos senhores. O tráfico nesse período prestou-se à produção e à exploração sexual. Esse processo de colonização gerou desigualdade e marginalização na sociedade. Os escravos que conseguiram comprar sua liberdade tinham poucas oportunidades, eram considerados inferiores aos europeus e seus descendentes, o que não mudou com a Lei Áurea de 1888.

Quando se avaliam pessoas ou grupos humanos à luz de preconceitos, torna-se mais difícil despertar indignação pela sua situação de miséria e exclusão, mesmo em se tratando de vítimas do tráfico humano, e dificulta-se o enfrentamento do problema.

8. A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO E O TRÁFICO HUMANO

No Brasil, são fartas as notícias de trabalhadores escravos em determinados ramos da agropecuária e em indústrias do ramo têxtil – situação não exclusiva a essas áreas. Hoje existe até um cadastro que impõe sanções a empresas flagradas fazendo uso dessa prática ou a produtos advindos de trabalho escravo ou de condições análogas às de trabalho escravo.

A população, mesmo sem o saber, contribui para tal exploração ao comprar esses produtos. Por isso, é bom desconfiar de ofertas de produtos de grife com preços muito abaixo da média do mercado, de produtos piratas ou importados de certas procedências. Pode-se, com isso, estar cooperando com a tráfico de pessoas para a produção em condições sub-humanas de trabalho e de vida.

Desse contexto aproveitam-se os aliciadores para ofertar o que muitos estão a desejar: trabalho e boa estrutura para viver. Assim, de repente, alguém que se encontra em condições de marginalização em sem horizontes se vê diante de uma “oportunidade” para mudar radicalmente sua história. É essa dura realidade que anima muitos a acreditar em falsas promessas, deixar sua gente e até sua terra e empreender longas viagens em busca da sonhada melhoria das condições de vida. No entanto, a realidade com a qual deparam é bem outra. Quando chegam ao destino, são informados da dívida contraída, têm os documentos apreendidos e se veem obrigados a atividades forçadas.

9. ONDE ESTÁ TEU IRMÃO?

“O evangelho, na abertura da Quaresma, trata das três práticas judaicas e cristãs por excelência: a caridade, a oração e o jejum. Cada uma dessas práticas nos põe, respectivamente, diante do próximo, de Deus e de nós mesmos. A Campanha da Fratenidade, todos os anos, propõe-nos um tema a ser estudado e meditado no período da Quaresma. A ênfase normalmente recai sobre a preocupação com o próximo, a qual nos leva a sair do nosso egoísmo e individualismo e pensar naqueles que têm a vida diminuída” (Pe. Nilo Luza, ssp).

Como já escrevemos acima, neste ano de 2014, a CF nos apresenta a realidade do tráfico humano. O tráfico humano é uma das situações que exploram e, muitas vezes, levam à morte. Não podemos ignorar esse fasto grave que avilta muitas vidas humanas. E a pergunta incômoda de Deus poderá se repetir: Onde está teu irmão sofredor e ameaçado de morte?

10. AS MIGRAÇÕES E O TRÁFICO HUMANO

As pessoas que migram nem sempre são bem acolhidas aonde chegam e raramente encontram facilidades para obter trabalho e boas condições para viver, sobretudo se estiverem em situação irregular. Nessa condição, tornam-se vulneráveis ao aliciamento do tráfico humano, que, a despeito de explorar intensamente as pessoas se torna para elas uma espécie de porto seguro perante as ameaças advindas da ilegalidade. Submetem-se à exploração, pois assim têm alguém para “cuidar” delas, por mais paradoxal que isso possa soar.

Atualmente, vários entre os países preferidos pelos migrantes – cujo perfil é serem trabalhadores em busca de melhores condições para si e suas famílias – estão cada vez mais fechando suas fronteiras. Até recentemente, havia cerca de 3 milhões de brasileiros fora do país. É necessário que os familiares estejam atentos à situação deles e, se constatarem algum indício de situação de tráfico, procurem as autoridades  competentes. Por seu turno, o Brasil – pela força de sua economia e pelo perfil de sua população, historicamente formada por migrantes – tem atraído muitos estrangeiros e precisa proporcionar boa acolhida aos irmãos e irmãs de outros países que aqui aportam para viver e trabalhar. Não permitir que o tráfico humano explore tais pessoas é responsabilidade de todos nós em sociedade.


ORAÇÃO DA CF 2014

Ó Deus, sempre ouvis o clamor do vosso povo
e vos compadeceis dos oprimidos e escravizados.
Fazei que experimentem a libertação da cruz
e a ressurreição de Jesus.
Nós vos pedimos pelos que sofrem
o flagelo do tráfico humano.
Convertei-nos pela força do vosso Espírito,
e tornai-nos sensíveis às dores destes nossos irmãos.
Comprometidos na superação deste mal,
vivamos como vossos filhos e filhas,
na liberdade e na paz.
Por Cristo nosso Senhor.
AMÉM!


HINO DA CF-2014

Título: É para a liberdade que Cristo nos libertou
Letra e Música: Roberto Lima de Souza


É para a liberdade que Cristo nos libertou,
Jesus libertador!
É para a liberdade que Cristo nos libertou! (Gl 5,1)


Deus não quer ver seus filhos sendo escravizados,
À semelhança e à sua imagem, os criou. (Cf. Gn 1,27)
Na cruz de Cristo, foram todos resgatados
Pra liberdade é que Jesus nos libertou! (Gl 5,1)

(Refrão)

Há tanta gente que, ao buscar nova alvorada,
Sai pela estrada a procurar libertação;
Mas como é triste ver, ao fim da caminhada,
Que foi levada a trabalhar na escravidão!

(Refrão)

E quantos chegam a perder a dignidade,
Sua cidade, a família, o seu valor.
Falta justiça, falta mais fraternidade
Pra libertá-los para a vida e para o amor!

(Refrão)

Que abracemos a certeza da esperança, (Cf. Hb 6,11)
Que já nos lança, nessa marcha em comunhão.
Pra novo céu e nova terra da aliança, (Cf. Ap 21,1)
De liberdade e vida plena para o irmão... (Cf. Jo 10,10)

(Refrão)

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